Viajar sozinha: por que essa experiência vale muito a pena

Muita gente nem cogita a possibilidade de viajar sozinha. Mas, se soubessem como isso pode fazer bem a si mesmas, talvez mudassem de ideia.

Por um lado, é divertido dividir as experiências de uma viagem com mais pessoas. Por outro, no entanto, andar por aí apenas na sua própria companhia é transformador.

A primeira vez que decidi fazer uma viagem sozinha foi para ir ao Rock in Rio. Era um sonho de muito tempo! Em 2017, finalmente, eu teria a chance de realizá-lo. Mas não tinha parceria.

Não quis abrir mão dessa oportunidade e decidi ir assim mesmo. Desde então, acabou meu receio de ir a qualquer lugar apenas por não ter companhia.

A experiência foi tão positiva que, dois anos mais tarde, dei o maior passo da minha vida. Parti para Portugal em busca de uma vida mais feliz e com mais quilômetros rodados. Arrependida? Nem por um instante!

Rock in Rio, 23/09/2017

Viajar sozinha faz bem para a saúde

Seja para a saúde física ou mental, viajar sozinha só traz benefícios. Fisicamente, nos cuidamos mais com comidas, bebidas e exercícios, pois sabemos que estamos por nós mesmas.

Beber demais sem nenhum amigo por perto para acudir, por exemplo, é sempre um risco maior. Uma infecção alimentar também não é nada bem-vinda em uma viagem (aliás, em momento nenhum hehe). 

Logo, temos uma tendência a sermos mais prudentes nessas questões. Sem deixar de nos divertirmos ou experimentarmos a gastronomia típica, claro.

Super sendo prudente, com pastel de nata, bolinho de bacalhau e vinho do Porto
Nazaré, Portugal

Também ficamos mais dispostas a caminhar, já que tudo é diferente. Andamos muito, por tudo, sem aquela preguiça que dá só de pensar em ir à academia.

Já para a mente, é uma libertação! Olha tudo o que é desenvolvido quando nos damos a oportunidade de viajar sozinha:

  • Autoconfiança
  • Autocontrole
  • Criatividade 
  • Capacidade de resolver problemas
  • Habilidade de relacionar-se
  • Autoconhecimento
  • Respeito – por si e pelos outros
  • Definição de prioridades

E garanto que esse é só o início da lista de benefícios!

Perca o medo de fazer uma viagem sozinha

Em março de 2019, a Booking.com publicou uma pesquisa sobre viagem realizada com mulheres da América Latina. Entre as entrevistadas, 17% têm medo de viajar sozinhas ou se sentem inseguras para tal.

Embora seja compreensível, há formas de driblar os inconvenientes de estar só em um lugar desconhecido.

Primeiro, a própria escolha do destino. Se o medo é da violência, escolher lugares com baixos índices de criminalidade é a dica mais lógica. Se isso não é possível, optar por excursões ou épocas de maior movimentação turística pode diminuir esse receio.

Como contei, minha primeira viagem sozinha foi para o Rio de Janeiro. Quer criminalidade maior? 

Por outro lado, fui para um evento que reúne pessoas de todo o Brasil e países vizinhos, logo, o policiamento nas áreas mais procuradas para estadia estava reforçado. 

Em uma noite, fui a um bar para assistir a Grêmio x Botafogo. Voltei caminhando para casa, cerca de seis quadras dali, pois havia mais gente na rua. Coisa que eu não faria em Porto Alegre, por exemplo.

Mas também há outros tipos de medo. E para cada um deles tem uma (ou mais) saída. Quer ver?

Medo da solidão

Pode acontecer, mas o bom é que depende 100% de você. Interagir com pessoas locais ou outros viajantes preenche aquele espaço ocupado no dia a dia pelas pessoas mais próximas.

Se você é mais introvertida, como eu, opte por situações que a “obrigue” a interagir, como ficar em hostels ou participar de excursões de um dia. Isso ajuda a quebrar o gelo.

Medo de se sentir ridícula

Você vai sozinha a um restaurante a acha que todo mundo fica olhando torto. Quem nunca? 

Mas, há duas verdades para situações como essa: a) é provável que a maioria das pessoas nem reparou que você está ali; e b) e daí se alguém reparou?

Isso só mostra que você é mais corajosa e bem resolvida do que aqueles que acham estranho.

Parque Warner, Madri
22/05/2019

Além disso, há diversas situações em que estar sozinha ou não passa despercebido. Vou falar delas daqui a pouco.

Medo de acidentes ou problemas de saúde

Não dá para negar que isso passa pela cabeça de quem está longe de casa. Esta semana, ainda, pensei em deixar o contato dos meus pais com uma colega do trabalho, pois me dei conta de que eles não saberiam a quem avisar se me acontecesse algo.

Mas, pensamentos apocalípticos à parte, ninguém está livre de um mal estar. E tudo bem, porque tem várias formas de contornar isso.

Primeiro, não pense que você vai desmaiar na rua e ninguém fará nada. Seguramente, alguém, pelo menos, chamará uma ambulância.

Tive uma experiência semelhante aqui em Coimbra. Eu estava andando de patinete elétrico pela primeira – e última – vez e me acidentei. Prontamente, duas pessoas pararam seus carros e me socorreram. Como optei por não ir para o hospital, um senhor se ofereceu para me deixar onde eu quisesse.

Você também pode deixar seus contatos com alguém no hotel ou hostel. Ou ainda, carregar consigo a famosa pulseirinha com seus dados pessoais. 

Além disso, o seguro viagem está aí para isso: ele cobre suas despesas médicas em casos de emergências como essas.

Sozinha ou não? Tanto faz!

A gente tem a tendência de achar que pisca uma luz vermelha na nossa testa sempre que estamos em situações não convencionais.

Se você é assim, pode se sentir mais à vontade em lugares onde tanto faz estar sozinha ou não.

Fiz aqui uma listinha de experiências que funcionaram comigo – das mais óbvias à mais inusitada:

Museus e exposições

Essa é fácil, né? As pessoas costumam falar menos nesses lugares pois estão envolvidos com o conteúdo do evento. É muito tranquilo e pode servir como porta de entrada para viagens mais pesadas 🙂

Ônibus de turismo (hop on hop off)

Arrisco dizer que todas as cidades turísticas têm pelo menos um itinerário desses ônibus. É só sentar, colocar os fones de ouvido e aproveitar. Acho muito prático, pois é uma forma de conhecer tudo confortavelmente. E, durante o caminho, dá para anotar os lugares que mais gostou para voltar com mais calma depois.

Arredores do Estádio Santiago Bernabéu, Madri
20/05/2019

Shows

Essa dica vale para grandes eventos, mas também para aquela banda bacana da sua cidade que vai se apresentar em um bar. Você só quer apreciar o espetáculo. Por que não pode fazer isso sozinha?

Praias

Não é preciso ninguém ao nosso lado para curtirmos aquela sensação que só o mar nos proporciona. Seja na canga ou na cadeira, sentar na areia e deixar a vitamina D entrar é maravilhoso. Se uma companhia for, realmente, indispensável, tente um livro ou uma revista de palavras cruzadas. Você não vai precisar de mais nada, pode confiar!

Feiras e festas populares

Para mim, essa foi uma descoberta aqui de Portugal. Comecei a frequentar esses eventos como forma de conhecer a cultura local e me apaixonei! Na Viagem Medieval de Santa Maria da Feira, por exemplo, eu fiquei das 15h às 2h da manhã do dia seguinte. Sozinha, só passeando e aproveitando as atrações.

Viagem Medieval em Santa Maria da Feira, Portugal
05/08/2019

Excursões

Dependendo para onde vai, nem dá tempo de fazer amizades. Mas isso não a impede de aproveitar o lugar. Descobri aqui a QuebraTour, uma empresa que faz passeios de um dia a preços bem acessíveis. Você pode procurar algo semelhante no seu destino. Vale muito para aqueles lugares mais turísticos, em que faz bem a orientação de guias. 

Parque de diversões

Sim, pode acreditar! Já estive sozinha em um e dá pra se divertir muito! É só deixar a luz vermelha da testa piscar, dizendo “vejam como eu sou maravilhosaaa!”.

Mas, acima de tudo, só faça uma viagem sozinha se tiver vontade

É óbvio, mas até o óbvio precisa ser dito.

Para mim, andar por aí foi e sempre será uma experiência incrível. Por isso, recomendo muito para todo mundo.

Mas as pessoas funcionam de forma diferente (oh really?). Assim como escolher ter filhos ou seguir uma determinada profissão, viajar sozinha só é bom se há predisposição.

Eventos não planejados podem acontecer em qualquer viagem. Para esses momentos, jogo de cintura é fundamental! E isso é bem mais difícil quando a gente está contrariada.

Há pouco tempo, tive problemas no carregador do carro e fiquei sem bateria no celular e no carregador portátil. Só que eu estava a 90km de casa e precisei achar o caminho de volta, à noite, sem GPS.

Foi tenso? Um pouquinho. Mas ok, eu estava fazendo uma coisa que gosto e teria mais histórias para contar. Se eu não quisesse estar ali, a situação poderia ter sido traumatizante.

Então, se você não tem vontade nenhuma de viajar sozinha, tudo bem. Isso não faz de você menos corajosa ou menos independente do que qualquer outra mulher.

A gente precisa parar de sentir culpa por não ser tudo em uma só.

Agora que já falei bastante, quero saber de você:

Já teve alguma experiência assim? Tem vontade, mas ainda falta alguma coisa?

Divide comigo aqui nos comentários ou manda uma mensagem! Vai ser um prazer trocar uma ideia com você!

4 Replies to “Viajar sozinha: por que essa experiência vale muito a pena”

  1. Amei o texto, as descobertas, a coragem… Amo tu!!!
    Em breve estarei me aventurando contigo!!! Em nivel hard!!!

  2. Melina, tu és incrível. Não sei se um dia conseguirei viajar sozinha, pq ainda sou um pouco fóbica, apesar de tanta análise. Mas esse teu texto não vai sair da minha cabeça. Loviú!

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