Nazaré, Portugal: 7 coisas que adorei fazer por lá

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Praia da Nazaré, Portugal

Nazaré, Portugal, foi minha primeira escolha quando resolvi morar fora do Brasil. Este pequeno concelho com pouco mais de quinze mil habitantes fica no Distrito de Leiria, na região central de Portugal – a 124km de Lisboa e 216km do Porto.

O que me fez acreditar que essa seria uma boa escolha foi a versatilidade do lugar. Do sol do verão às ondas gigantes do inverno, Nazaré é rica em eventos e belezas naturais. 

De maio a setembro, a diversidade cultural é imensa devido à quantidade de turistas estrangeiros. Todos os dias, desembarcam pessoas de países como França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, garantindo ruas movimentadas e divertidas até a madrugada.

Já de novembro a março, a presença do Canhão da Nazaré, o cânion submarino responsável pelas famosas ondas, garante um inverno também agitado.

É nesse período que o fenômeno se manifesta na Praia do Norte, atraindo surfistas e entusiastas do esporte – ou apenas curiosos que querem presenciar um lindo espetáculo da natureza.

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Eu e outros curiosos no Campeonato Mundial de Ondas Grandes
Nazaré, 11/02/2020

O vento da vida acabou me levando para Coimbra. Mas, sempre que posso, volto para passear por aquela que foi minha primeira casa em Portugal.

Quer saber por que? Segue aqui que eu conto tudo!

Ah! Antes de continuar, uma curiosidade: por aqui, falam “na Nazaré” em vez de “em Nazaré”. É como “no Porto” em vez de “em Porto”. Por outro lado, dizem “em França”, “em Espanha”… É estranho no início, mas a gente acostuma 🙂

1. Conheci muitas tradições e festas populares na Nazaré

Encontrei muito apego às tradições por lá. O dia que você visitá-la, não estranhe se estiver caminhando na praia e, de repente, começar um desfile de com trajes típicos e carros decorados. Ou shows de danças folclóricas em um palco montado ali mesmo, na areia.

Comemorações da Páscoa
Nazaré, 21/04/2019

As sete saias, lendária vestimenta das nazarenas, são usadas diariamente, em especial pelas mulheres mais velhas. Os homens, com suas camisas xadrez, calças pretas e boinas estilo Kangol, fazem com que você se sinta na pequena vila de pescadores de décadas atrás.

Outra cultura imperdível são os peixes secos. A tradição começou, há muito tempo, por necessidade, como forma de conservar o peixe. Assim, as famílias teriam sustento mesmo quando a pesca fosse mais escassa. A secagem, feita à beira mar, confere à Nazaré uma paisagem muito peculiar.

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Para saber que festas populares estão programadas, recomendo o site da Câmara Municipal, que mantém uma agenda de eventos bem atualizada.

2. Visitei lugares lindos que contam a história da cidade

Quando comecei a pesquisar sobre Nazaré, li sobre a lenda que acabou por dar nome à cidade

Bem resumidamente, segundo contam, o cavaleiro português Dom Fuas Roupinho caçava um veado quando se viu à beira de um penhasco. Ao rezar para Nossa Senhora e ser atendido, mandou erguer uma capela sobre a gruta onde se encontrava a imagem da santa.

Saber sobre a lenda fez com que eu tivesse muita vontade de conhecer o que hoje são seus principais pontos turísticos. Não perca por nada a visita a esses lugares:

  • Santuário de Nossa Senhora da Nazaré: difícil dizer o que é mais lindo: o interior ou o exterior desta igreja, localizada na praça principal do Sítio, parte alta da cidade. É lá que está a imagem esculpida em madeira de Nossa Senhora da Nazaré – a mesma para a qual Dom Fuas rezou.
 Santuário de Nossa Senhora da Nazaré
Santuário de Nossa Senhora da Nazaré
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A visita à sacristia do Santuário custa 1€. Por ali, há um acesso para ver a imagem de Nossa Senhora da Nazaré assim, de pertinho
  • Ermida da Memória (Capela da Memória): a pequena construção, também na praça principal, é a tal que foi erguida a mando de Dom Fuas Roupinho. Atualmente, passa quase despercebida em meio a tantas lojinhas e turistas. Mas, quando paramos e prestamos atenção, é difícil não achá-la encantadora. 
Mamis e eu, em frente à Capela da Memória
Mamis e eu, em frente à Capela da Memória
  • Miradouro do Suberco: é um daqueles locais para sentar e esquecer a vida! A 110m de altitude, tem uma vista perfeita da Praia da Nazaré e suas casinhas brancas.
Miradouro do Suberco (Foto: Rui Ornelas/flickr)
  • Centro Cultural da Nazaré: o antigo mercado de peixes é, atualmente, um local onde acontecem exposições e atividades culturais, eventos que contam um pouquinho da história nazarena. Sempre vale a pena dar uma passada para saber o que está rolando por lá. Quando fui, havia uma exposição sobre a história dos aventais, tipicamente usados pelas mulheres por cima das sete saias. Muito legal!

3. Subi no Forte do Morro da Nazaré

É na sequência do Miradouro do Suberco que está o Forte de São Miguel Arcanjo e a alma do surf da cidade. Além de ser o melhor lugar para assistir às famosas ondas, é nele que se encontra a Surfer Wall, uma sala repleta de pranchas oferecidas por surfistas que encararam as gigantes da Praia do Norte.

Lá também está o Centro Interpretativo do Canhão da Nazaré, um espaço superinteressante com vídeos e infográficos que explicam em detalhes a formação geográfica que dá origem ao fenômeno das ondas.

No topo do Forte, o icônico farol vermelho. Aquele que me fez chorar quando o vi pela primeira vez, do ônibus, chegando à Nazaré.

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Combinando com o farol e mostrando o tamanho da felicidade

O acesso ao exterior do Forte de São Miguel Arcanjo é livre. Mas, para visitar o interior, onde está a Surfer Wall, o Centro e o acesso ao farol é preciso pagar 1€.

4. Andei no Ascensor – e me deslumbrei com a vista!

Você até pode ir para o Sítio da Nazaré de carro ou – socorro! – pelas escadarias. Mas se quer mesmo uma experiência incrível, vá pelo Ascensor, o funicular centenário responsável pela ligação do Sítio com a parte sul da vila.

A viagem dura cerca de três minutos e, aos poucos, vai revelando uma vista fantástica das casas e do mar. E pode ficar tranquilo: apesar da idade, o ascensor é bastante seguro e confortável.

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Mesmo com o dia nublado, a vista é imperdível

A passagem custa 1,50€, mas se comprar ida e volta juntas sai por 2,90€. Para crianças, o valor é de 1€, ida e volta, 1,90€.

5. Fiquei hospedada em uma casinha nazarena

Se você não me segue no Instagram (@andaca.me), não ouviu falar na dona Maria e no seu Manoel. Conheci-os no meu primeiro dia na Nazaré, quando fui ao mercadinho de propriedade do casal.

A dona Maria e o seu Manoel meio que me adotaram e ajudaram muito enquanto estive lá! E foi uma casinha deles que aluguei a maior parte do tempo.

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Rua da Liberdade, onde fica a casinha da dona Maria que aluguei (gente, sou uma péssima fotógrafa, mas prometo que vou melhorar)

Muitos moradores possuem casas para alugar. Mas se Deus não colocar uma dona Maria no seu caminho, é fácil encontrar onde ficar.

É só procurar as senhoras nazarenas que ficam sentadas em banquinhos, segurando placas que indicam o tipo de imóvel disponível. Em alguns casos, elas mesmas já levam você para conhecer o lugar.

Hospedar-se em uma casinha com decoração naturalmente típica da região é muito aconchegante! Normalmente, ficam em pequenas ruas, algumas tão estreitas que nem passam carros (como essa onde fiquei).

Você vai viver Nazaré intensamente com uma experiência assim!

Maaaas, se você não abre mão de um bom hotel, tive uma experiência ótima no Adega Oceano e outra ainda melhor no Miramar Hotel & SPA. Recomendo muito os dois!

6. Aplaudi o pôr do sol

Acho difícil não sentir uma grande conexão com a natureza ao ver o sol se indo, aos poucos, naquele mar incrível! Foi um dos momentos mais lindos que presenciei na vida.

A combinação sol, mar e pedras pode existir em outros lugares, mas não lembro de uma tão perfeita quanto a da Nazaré.

Quando for, programe-se para estar à beira mar na hora em que a noite cai e você se lembrará para sempre dos momentos que viveu por lá!

PS: Muitas pessoas, de fato, aplaudiram o pôr do sol. Eu fui na onda! Ele merecia! 😉

Pôr do Sol, Nazaré, Portugal

7. Vi as ondas gigantes da Nazaré

Elas não são constantes. Dependem de diversas variáveis que têm a ver, entre outras coisas, com o tempo e a atividade do Canhão da Nazaré.

Para saber quando acontecem, fico de olho em sites e aplicativos de surf como o Nazaré Waves. As previsões costumam indicar qual é o melhor dia para passar por lá.

Meus pais me visitaram em fevereiro deste ano e fomos à Nazaré. Passamos o dia lá e foi assim que descobrimos que na terça-feira seguinte, dia 11 de fevereiro, aconteceria o Campeonato Mundial de Ondas Grandes da WSL. Reorganizamos nosso roteiro para estarmos de volta naquele dia.

Foi incrível!

Segundo informações, naquele dia, as ondas chegaram a 18 metros de altura. Confesso que, lá de cima, não chega a dar um frio na espinha – aquele que dá quando vemos vídeos e fotos da Nazaré.

Mas foi emocionante ver toda a movimentação no mar e a torcida das pessoas. Sim! Gritos, palmas e assobios, como qualquer outro campeonato esportivo.

E você? Já conhece Nazaré? Ou tem vontade de conhecer?

O que mais chama sua atenção nesse pequeno paraíso português?

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